04.11.2025

Nova publicação “Onde estão os recursos para o clima?” aprofunda debate sobre o financiamento climático no Sul Global

Realizada pelo Fundo Casa Socioambiental, em correalização com a Rede Comuá, a publicação traz dados e análises sobre os fluxos financeiros e os desafios para democratizar o acesso aos recursos climáticos.

O que realmente significa financiar o clima com justiça? E, mais importante: quem tem acesso a esses recursos? E quem ainda está de fora?

O Fundo Casa Socioambiental, numa correalização com a Rede Comuá, lança a segunda publicação da série Construindo Justiça Climática, intitulada “Onde estão os recursos para o clima? O cenário do financiamento climático para a sociedade civil do Sul Global”. O material é um estudo inédito e aprofundado sobre a arquitetura global do financiamento climático, seus mecanismos, desafios e caminhos para que os recursos cheguem, de fato, a quem cuida das florestas, das águas e da sociobiodiversidade.

Elaborada por Graciela Hopstein, com colaboração de especialistas e lideranças da filantropia independente, a publicação mergulha nas contradições e nas possibilidades do sistema financeiro internacional voltado ao clima, um campo onde trilhões de dólares circulam todos os anos, mas, segundo o Global Landscape of Climate Finance (2023), menos de 0,5% chega diretamente às comunidades mais vulneráveis, justamente aquelas que protagonizam as soluções mais eficazes e enraizadas nos territórios.

“Dinheiro há, e muito. O problema está nos critérios, nas formas de alocação e na governança dos fluxos financeiros”, afirma Cristina Orpheo, diretora-executiva do Fundo Casa Socioambiental. 

Com uma escrita crítica e acessível, o material mostra como os mecanismos multilaterais, os fundos filantrópicos e até os bancos de desenvolvimento ainda operam em uma lógica centralizada e pouco transparente, que exclui povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, camponeses e comunidades urbanas periféricas — grupos que não apenas resistem à crise climática, mas criam e aplicam soluções baseadas na natureza e estratégias de transição justa há gerações.

“Os fundos não transformam nada sozinhos. Eles apoiam as comunidades que já têm as soluções”, reforça Maria Amália Souza, fundadora do Fundo Casa e líder de Parcerias Estratégicas, em seu artigo que abre a publicação.

Ao longo das páginas, a publicação reúne dados, análises e reflexões sobre acordos internacionais, mecanismos filantrópicos, blended finance e cooperação internacional, além de propor caminhos concretos para democratizar o acesso ao financiamento climático. Também faz um convite direto aos governos, doadores e instituições financeiras: financiar com justiça significa descentralizar decisões, ampliar a colaboração e reconhecer o protagonismo dos territórios.

Com 20 anos de atuação, o Fundo Casa Socioambiental reafirma, com esta publicação, o papel fundamental dos fundos locais, independentes e comunitários na transformação da lógica financeira global, mostrando que o futuro do clima depende da valorização das soluções que já brotam da base.

Leia a publicação completa.

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