08.07.2025
Fundo Casa lança Relatório Anual 2024: mais de R$29 milhões doados para fortalecer soluções locais em todo o Brasil
O Fundo Casa Socioambiental tem a alegria de lançar seu Relatório Anual 2024, reunindo dados, histórias e aprendizados que traduzem a potência das comunidades no enfrentamento aos desafios socioambientais do Brasil. Em um ano marcado por emergências climáticas, mobilizações comunitárias e importantes conquistas nos territórios, o Fundo Casa lançou 12 chamadas, o maior número da sua história, apoiando diretamente 535 novos projetos e 42 defensoras e defensores ambientais em todas as regiões do país e somando mais de R$ 29 milhões doados a iniciativas comunitárias.
Esses apoios chegaram onde eram mais necessários, nas periferias urbanas, nas áreas rurais, nas terras indígenas, quilombolas, ribeirinhas, extrativistas e tradicionais que sustentam modos de vida diversos e guardam soluções reais para a crise climática e a justiça socioambiental. Com presença nos seis biomas e em todos os estados brasileiros, o Fundo Casa reafirma seu compromisso com um modelo de financiamento direto, ágil e acessível, construído com base no diálogo, na escuta ativa e na confiança mútua com as organizações da sociedade civil.
“As soluções já existem! Elas estão nos territórios, e precisam — com URGÊNCIA! — de financiamento robusto, direto e justo”, afirma Cristina Orpheo, diretora-executiva do Fundo Casa.
Nosso papel é garantir que os recursos cheguem a essas comunidades com agilidade, respeito e confiança. Em 2024, essa abordagem se consolidou ainda mais com chamadas públicas acessíveis, monitoramento participativo, gestão transparente e apoio técnico próximo, que reconhece os saberes locais como centrais para o fortalecimento das redes de cuidado, resiliência e transformação.
Entre os destaques do ano está a chamada Teia da Sociobiodiversidade, a maior já realizada pelo Fundo Casa Socioambiental. Com apoio financeiro do Fundo Socioambiental CAIXA, a chamada recebeu 2.048 propostas de todas as regiões do Brasil e prevê um investimento de R$ 40 milhões até 2028, beneficiando pelo menos 400 organizações comunitárias comprometidas com a proteção da sociobiodiversidade e da vida nos territórios.
Outro momento marcante foi a resposta rápida à tragédia climática no Rio Grande do Sul: diante das chuvas extremas que atingiram o estado, o Fundo Casa mobilizou mais de R$ 2,8 milhões para apoiar 69 iniciativas comunitárias com recursos desburocratizados, voltados para ações emergenciais, de alimentos e abrigos temporários ao apoio à saúde mental e à retomada produtiva.
Também houve um fortalecimento expressivo das brigadas comunitárias de combate a incêndios. Foram mais de R$ 3 milhões destinados a 75 projetos em cinco biomas: Amazônia, Cerrado, Pantanal, Caatinga e Mata Atlântica, para apoiar brigadas voluntárias e comunitárias que protegem os territórios e seus modos de vida contra as queimadas e o desmatamento.
Em 2024, a maior parte dos recursos do Fundo Casa foi direcionada a quem vive e protege os territórios: povos indígenas, comunidades tradicionais e ativistas que enfrentam cotidianamente os impactos da crise climática e das injustiças ambientais.
Os povos indígenas lideram em número de projetos e volume de recursos, 158 iniciativas apoiadas, com R$9,8 milhões doados. Ativistas socioambientais receberam R$7,5 milhões, distribuídos em 150 projetos. Agricultores, pescadores, quilombolas, ribeirinhos e extrativistas também estiveram entre os principais apoiados, reforçando o compromisso de levar recursos a quem cuida da Terra nos territórios.

Mulheres Munduruku dançam em roda para celebrar a assinatura da portaria declaratória da Terra Indígena Sawré Muybu, no Pará, em novembro de 2024. Após décadas de mobilização, a conquista histórica reconhece oficialmente mais de 178 mil hectares e reforça os direitos do povo Munduruku, marcando um avanço na proteção da Amazônia e na preservação dos territórios indígenas. Foto: Attilio Zolin
A trajetória do povo Munduruku, por exemplo, é uma síntese do impacto gerado por esses apoios. Desde 2006, o Fundo Casa tem contribuído com a luta pela demarcação da Terra Indígena Sawré Muybu, no médio Tapajós, por meio de oficinas, expedições de autodemarcação e mobilizações em Brasília. Em 2024, essa caminhada foi celebrada com a demarcação oficial do território, uma conquista coletiva que representa o poder da organização comunitária e da persistência.
Mesmo com todos os avanços, a demanda segue muito maior do que os recursos disponíveis. Em 2024, apenas 34% das propostas recebidas puderam ser apoiadas. Seriam necessários mais de R$ 75 milhões para atender a todas as organizações. Por isso, a mobilização de novos recursos segue como prioridade nos próximos anos, para que mais soluções territoriais possam florescer e se fortalecer.
O perfil das organizações apoiadas mostra a pluralidade que sustenta os territórios. A maioria dos projetos é formada por coletivos mistos, mas chama atenção o protagonismo feminino: 312 iniciativas foram lideradas por mulheres e 48 compostas exclusivamente por elas. A juventude também teve papel central, com 141 organizações voltadas para esse público, além da presença de 41 projetos ligados à pauta LGBTQIAPN+.
A atuação do Fundo Casa alcançou diretamente 1,9 milhão de pessoas e, de forma indireta, cerca de 3,8 milhões, segundo os dados das próprias organizações. A Amazônia liderou em número de iniciativas (213 projetos) e volume de recursos: R$ 12,7 milhões. Mas todos os biomas foram contemplados, assim como ações em áreas de fronteira e contextos urbanos, sempre com atenção especial aos territórios mais vulneráveis.
Por trás de cada número, há histórias de luta, cuidado e transformação. Há redes de saberes tradicionais, ações coletivas e soluções que nascem dos próprios territórios. Em 2025, o Fundo Casa completa 20 anos de atuação, reforçando sua missão de promover justiça socioambiental com base na escuta, no diálogo e no fortalecimento comunitário.
“É no local que começa a mudança global”, lembra Cristina Orpheo. “Nos territórios, encontramos a força, a criatividade e o conhecimento necessários para enfrentar os maiores desafios do nosso tempo.” Que esse relatório seja, mais do que uma prestação de contas, um convite à esperança, à mobilização e à construção de um futuro possível.
