04.12.2025

Nossa Casa é o Mundo: 20 anos de histórias para celebrar

Há celebrações que falam mais do que um marco no calendário, falam de um caminho, de uma história coletiva, de tudo o que nos trouxe até aqui. O evento de 14 de novembro, durante a COP 30, em Belém, foi exatamente isso: um encontro que reuniu a equipe do Fundo Casa Socioambiental, parceiros, financiadores, apoiados e amigas e amigos de caminhada para celebrar nossos 20 anos e lançar o livro Nossa Casa é o Mundo.

Foi um momento vivo, cheio de rostos, vozes e afetos em sintonia com o que acreditamos desde o início: as pessoas e os territórios estão no centro da transformação socioambiental. Cada detalhe do evento refletia a forma de atuar do Fundo Casa. Nada ali era indiferente ao território que nos recebia, Belém, com suas cores, sabores, música e gente.

Do acolhimento conduzido por José Kaeté às falas emocionantes feitas por lideranças comunitárias; do ritmo vivo da música paraense que acompanhou todo o encontro às paredes ocupadas por fotografias de projetos que revelam a vida nos territórios; das falas de conselheiros, fundadores e apoiados às frases que orientam nossa caminhada projetadas nas árvores — cada elemento compunha a mesma trama. Cada detalhe confirmava que essa história só existe porque é construída em rede, com quem defende os territórios, fortalece suas comunidades e mantém vivas as relações que sustentam a terra, as águas e as florestas.

Com a curadoria do fotógrafo Araquém Alcântara, lançamos Nossa Casa é o Mundo, que não é apenas um livro de fotografias, embora traga imagens que nos tocam e nos lembram por que fazemos o que fazemos. É um livro-manifesto. Uma declaração pública de que a filantropia pode e precisa ser transformadora, eficaz, descentralizada e profundamente conectada às pessoas.

Ao longo de 20 anos, o Fundo Casa já apoiou mais de 4.700 iniciativas de comunidades locais e tradicionais de todos os biomas do Brasil. A entrega simbólica do livro, feita por conselheiras e conselheiros a representantes de projetos apoiados, mostrou que essas duas décadas só existem graças às muitas mãos que construíram esse caminho.

Entre os momentos importantes da noite, a fala de Josimara Baré, liderança do povo Baré e gestora de fundos indígenas, trouxe uma contribuição importante. Ela destacou a relação de respeito construída ao longo dos anos com o Fundo Casa e o valor dessa parceria para o fortalecimento da autonomia dos povos indígenas. “Nós somos fundos, nós somos estratégias, nós somos movimentos que querem construir um mundo melhor.” 

A participação dela destacou a relevância do diálogo entre fundos comunitários e do compromisso conjunto em fortalecer caminhos já liderados pelos povos indígenas.

As falas de Maria Amalia Souza, fundadora do Fundo Casa e diretora de estratégias globais na filantropia, e Cristina Orphêo, diretora-executiva, ajudaram a costurar o sentido maior da celebração. “A gente só existe se o recurso chega lá. Se não chega nos territórios, ele não está fazendo o que devia fazer”, afirmou Maria Amália, retomando um princípio do Fundo Casa que nunca mudou. 

Ao revisitar o caminho trilhado, ela também destacou como o Fundo Casa ajudou a construir, ao lado de organizações irmãs, uma articulação internacional que hoje conecta fundos comunitários em diferentes continentes. Uma rede que não é apenas política, mas prática e estratégica. “Construímos uma arquitetura de fundos do Sul Global que hoje está na Ásia, na África e em toda a América Latina. Essas parcerias são estruturantes”, destacou Maria Amalia.

Na sequência, Cristina Orphêo trouxe o olhar de gestão, de presença no dia a dia e de compromisso com o que está por vir. Ao falar sobre a COP 30 e os 20 anos celebrados em Belém, ela apontou o papel da sociedade civil na construção de soluções reais para a crise climática. “O que faz a COP ser mais verdadeira, viva e forte é a sociedade civil. São os movimentos e organizações que mostram sua potência e mantêm viva a democracia”, afirmou. 

“São 20 anos feitos com quem agrega, com quem une, com quem ri e chora junto quando precisa. Assim é o Fundo Casa: uma história de afeto, coragem e propósito. Seguimos nos reinventando todos os dias, apoiando soluções concretas. Temos uma juventude brilhante e a força das mulheres, que mostram ao mundo que é possível trilhar outros caminhos.”
Cristina Orphêo, diretora-executiva do Fundo Casa Socioambiental

A noite em Belém foi um lembrete de que a história do Fundo Casa sempre avançou a partir das pessoas e dos territórios. O que ficou e marcou foi a certeza de continuidade. Seguimos ampliando caminhos, fortalecendo alianças e preparando os próximos capítulos desses 20 anos de construção coletiva, com a mesma convicção de transformar realidades a partir da base, junto de quem faz a diferença no dia a dia dos territórios.

Nossa Casa é o Mundo é um convite para continuar.
É memória e é futuro.
É fotografia e é manifesto.
É sobre nós — mas, sobretudo, sobre quem está nos territórios, criando soluções, fortalecendo a democracia e abrindo caminhos para um mundo justo, diverso e resiliente.

Que venham os próximos 20 anos.
E que sigamos lado a lado, porque, juntos, a gente pode mais.

Quer receber o livro Nossa Casa é o Mundo?

Ao longo das últimas semanas, muitas pessoas e organizações apoiadas pelo Fundo Casa nos escreveram querendo acessar o livro lançado na celebração dos 20 anos do Fundo Casa. Para acolher esses pedidos de forma justa e conectada à nossa história, abrimos um formulário simples para quem quiser compartilhar um depoimento sobre como o Fundo Casa fez parte da sua trajetória ou explicar por que o livro seria importante para sua comunidade, biblioteca, coletivo ou instituição. A equipe fará uma seleção cuidadosa, considerando afinidade com nossa caminhada e disponibilidade de exemplares. Clique aqui para preencher o formulário.

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