26.03.2026

Conheça os 203 projetos selecionados na 2ª chamada da Teia da Sociobiodiversidade

A Teia da Sociobiodiversidade, em sua segunda chamada, amplia a presença em todos os biomas e regiões do Brasil, no campo e nas cidades. Nesta segunda edição, 203 iniciativas foram selecionadas, as quais vão se somar às 202 contempladas na primeira chamada, realizada em 2024. Essa grande rede conectada de comunidades que estão construindo um futuro mais justo e sustentável é plural, tem a cara do povo brasileiro.

A Teia da Sociobiodiversidade é uma iniciativa do Fundo Casa Socioambiental, com o apoio financeiro do Fundo Socioambiental CAIXA, que apoia organizações e coletivos de base comunitária e local a promoverem soluções socioambientais enraizadas nos territórios e baseadas na valorização da sociobiodiversidade brasileira. Para cada uma das duas chamadas, foram destinados R$ 20 milhões de reais, reafirmando o reconhecimento do Fundo Casa e do FSA CAIXA no potencial transformador das iniciativas comunitárias que atuam na interface entre conservação ambiental, geração de renda, segurança alimentar e fortalecimento dos territórios.

Lançada em novembro de 2025, durante a COP 30 de Clima, em Belém, a segunda chamada da Teia da Sociobiodiversidade recebeu 1.812 propostas provenientes dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal. Após a etapa de triagem e avaliação técnica, 1.319 projetos atenderam a todos requisitos do edital e avançaram para a fase de análise, resultando na seleção de 203 iniciativas. Foram três a mais do que o previsto, considerando que nem todas as organizações solicitaram recursos com o valor limite da chamada.

Essas iniciativas são provenientes de todas as regiões do Brasil, evidenciando o caráter nacional da chamada e a diversidade de contextos socioambientais em que os projetos serão implementados. A região Nordeste concentra 44,3% dos projetos aprovados, seguida pela região Norte (24,6%), Sudeste (15,8%), Centro-Oeste (8,4%) e Sul (6,4%). 

A maior parte das iniciativas (78,3%) está vinculada à linha temática de Negócios da Sociobiodiversidade, ou seja, experiências que fortalecem cadeias produtivas sustentáveis e iniciativas de geração de renda associadas ao uso responsável dos recursos naturais. Já 21,7% dos projetos integram a linha de Soluções Baseadas na Natureza, voltada para ações de conservação ambiental, recuperação de ecossistemas e adaptação às mudanças climáticas.

A segurança alimentar aparece como um eixo transversal em grande parte das iniciativas, presente em 90% dos projetos aprovados, reforçando a interdependência entre conservação ambiental, produção sustentável e acesso a alimentos.

As iniciativas selecionadas também refletem a diversidade ecológica do país. A Mata Atlântica concentra 27,1% dos projetos aprovados, seguida pela Amazônia (25,1%), Caatinga (22,2%) e Cerrado (14,3%). Além disso, 10,3% das iniciativas estão localizadas em áreas de transição entre biomas, enquanto Pampa e Pantanal aparecem com 0,5% cada. Esses dados evidenciam a capilaridade da chamada e sua atuação em diferentes contextos ambientais.

E é no coração desses biomas que pulsam as iniciativas que serão implementadas. Grande parte delas serão desenvolvidas em territórios tradicionais e áreas rurais. Entre os projetos aprovados, 21,18% serão desenvolvidos em terras indígenas, 19,7% em territórios quilombolas e 16,26% em assentamentos da reforma agrária. Também estão presentes iniciativas em reservas extrativistas e periferias urbanas (4,43% cada), territórios pesqueiros (2,96%), além de comunidades caiçaras, geraizeiras e fundos e fechos de pasto.

De forma geral, 48,28% das organizações selecionadas são compostas por povos e comunidades tradicionais, evidenciando e reconhecendo o papel central desses grupos na conservação ambiental, no manejo sustentável dos territórios e na construção de alternativas econômicas baseadas na sociobiodiversidade.

Nessas localidades, as organizações que serão apoiadas são majoritariamente Associações, representando 80,29% do total, seguida por Cooperativas e ONGs, com 8,37% e 5,91% respectivamente. Formações como Movimentos, Coletivos, Fundos Locais e Redes e Articulações representam juntas menos de 5% do total. A predominância de associações nos projetos selecionados reflete a estrutura organizacional mais comum entre as iniciativas comunitárias.

Vale salientar que se tratam de organizações com alto grau de engajamento e inserção das iniciativas em espaços coletivos de mobilização, troca de experiências e incidência política: 97,5% delas participam de redes, fóruns ou coletivos.

Outra característica marcante desta chamada é o protagonismo feminino e a diversidade étnico-racial. Entre as organizações selecionadas, 48,28% possuem maioria ou exclusividade de mulheres em sua composição, enquanto 38,42% apresentam composição de gênero próxima à paridade. Além disso, 60,1% das pessoas representantes legais das organizações são mulheres. A diversidade racial também se destaca entre as lideranças: 81,3% das pessoas responsáveis pelas organizações são não brancas, sendo 37,5% pardas, 25,1% pretas e 17,2% indígenas.

E esse padrão se mantém em relação à liderança dos projetos aprovados. Ao todo, 61,08% das pessoas responsáveis pelos projetos aprovados se identificam como mulheres, seguidas por 38,42% como homens e 0,49% como pessoas não-binárias. Quanto à raça/etnia, observa-se predominância de pessoas não brancas, que somam 76,35% (34,4% pardas; 25,6% pretas; 15,8% indígenas e 0,5% amarelas), enquanto 23,6% se autodeclaram brancas.

Esses dados reforçam a importância do apoio a iniciativas lideradas por mulheres, povos indígenas, quilombolas e outros grupos historicamente excluídos, fortalecendo sua atuação nos territórios e ratificando seu papel central para o desenvolvimento sustentável e a justiça socioambiental e climática.

Nessa soma de fatores, o resultado é uma escala de impacto significativo nas vidas de diversas comunidades de todo o país. Juntos, esses 203 projetos devem beneficiar, conforme informado em suas propostas, diretamente 30.026 pessoas e 15.587 famílias, além de alcançar 748.274 pessoas de forma indireta.

Tratam-se de agricultoras e agricultores (61%), extrativistas (24%), quilombolas (24%), povos indígenas (23%), assentadas e assentados da reforma agrária (16%), ribeirinhas e ribeirinhos (16%) e pescadoras e pescadores artesanais (10%), entre outros grupos.

Assim, a Teia, essa iniciativa do Fundo Casa, evidencia o papel estratégico de fazer chegar os recursos onde estão sendo construídas as soluções para desafios contemporâneos, como as mudanças climáticas, a segurança alimentar e a conservação da biodiversidade.

Agora, somando os resultados da primeira e da segunda chamada, serão 405 projetos apoiados em diferentes biomas e territórios do Brasil, ao todo são R$ 40 milhões investidos, contribuindo para fortalecer redes locais, promover alternativas econômicas sustentáveis e ampliar o protagonismo das comunidades na construção de caminhos para a justiça socioambiental e climática.

CLIQUE AQUI PARA ACESSAR A LISTA COMPLETA COM AS ORGANIZAÇÕES E PROJETOS SELECIONADOS. 

As organizações que tiveram seus projetos selecionados receberão via e-mail as instruções sobre as próximas etapas para contratação.



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