27.03.2026

Em Brasília, Teia da Sociobiodiversidade anuncia 203 novos projetos e amplia atuação nacional

Iniciativa do Fundo Casa Socioambiental e do Fundo Socioambiental CAIXA alcança 405 projetos apoiados em todos os biomas do Brasil

No dia 26 de março, em Brasília, o Fundo Casa Socioambiental e o Fundo Socioambiental CAIXA anunciaram os 203 projetos selecionados na segunda chamada da Teia da Sociobiodiversidade. Com isso, a iniciativa alcança 405 projetos apoiados em todos os biomas e regiões do país, consolidando uma das maiores redes de apoio direto a organizações comunitárias no Brasil.

O anúncio foi feito durante o encontroTeia da Sociobiodiversidade – Conectando Projetos, Transformando Comunidades”, realizado no Espaço Teia CAIXA, com a presença de representantes de organizações apoiadas, sociedade civil, governo e parceiros do ecossistema de impacto.

O resultado evidencia um reconhecimento central, construído a partir da prática e da escala alcançada pela iniciativa: a capacidade do Fundo Casa de fazer chegar recursos diretamente aos territórios onde as soluções já estão sendo construídas.

Territórios no centro das soluções

Nos territórios, as soluções já estão em curso, na produção de alimentos, no manejo da floresta, na organização comunitária. A Teia foi desenhada para apoiar iniciativas enraizadas nos territórios, lideradas por povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e grupos locais.

Claudia Gibeli, Gestora de Programas do Fundo Casa Socioambiental e coordenadora da Teia da Sociobiodiversidade. Foto: Thiago Foresti

Segundo Claudia Gibelli, gestora de programa do Fundo Casa e coordenadora da iniciativa, o diferencial está justamente em reconhecer quem já atua na linha de frente: “são as populações que vivem nos territórios que conhecem os problemas e, portanto, são as que mais sabem como solucioná-los. Esses projetos multiplicam resultados, muitas vezes em rede, e conseguem gerar impacto positivo no território como um todo.”

Com a nova seleção, a Teia passa a conectar 405 iniciativas em andamento simultâneo, formando uma rede nacional de soluções baseadas na natureza e negócios da sociobiodiversidade.

Lançada durante a COP 30, em Belém, a segunda chamada recebeu 1.812 propostas de todos os estados brasileiros. Após análise técnica, 203 iniciativas foram selecionadas.

Os projetos dessa segunda chamada refletem a diversidade do país, com presença em todos os biomas e forte atuação em territórios indígenas, quilombolas e rurais. Em sua maioria conduzidas por associações comunitárias, essas iniciativas têm protagonismo de mulheres e de pessoas não brancas, revelando quem está, de fato, à frente das soluções nos territórios. Ao todo, devem beneficiar diretamente mais de 30 mil pessoas e 15,5 mil famílias, alcançando cerca de 750 mil pessoas de forma indireta.

Conheça os 203 projetos selecionados na 2ª chamada

Quando o recurso chega, o território responde

Durante o evento, uma das questões mais destacadas foi o papel do Fundo Casa em superar barreiras históricas de acesso a recursos.

Selma Dealdina Mbaye, Presidenta do Conselho Deliberativo do Fundo Casa Socioambiental. Foto: Thiago Foresti

Para Selma Dealdina Mbaye, atual presidenta do Conselho Diretor do Fundo Casa, o diferencial está em garantir que o recurso chegue, de fato, às organizações comunitárias: “estamos falando de territórios onde muitas vezes não há banco, não há internet, não há infraestrutura básica. Fazer esse recurso chegar até a associação, para que ela mesma decida como utilizar, é o que garante autonomia.”

Esse modelo fortalece os projetos, e também a estrutura das organizações locais, ampliando sua capacidade de gestão e incidência.

A experiência de quem já integra a Teia ajuda a dimensionar esses resultados. É o caso da Associação dos Produtores e Produtoras Agroextrativistas do Seringal Floresta, na Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre.

O projeto apoiado, o Ateliê da Floresta, nasceu do sonho de Raimundo Mendes, primo de Chico Mendes, com um objetivo de criar alternativas para que jovens e mulheres possam permanecer no território, com geração de renda e sem recorrer a atividades que pressionam a floresta.

A iniciativa estrutura uma cadeia produtiva baseada no uso sustentável de matérias-primas coletadas no chão da floresta, como madeira reaproveitada, ouriços de castanha, sementes e resinas. A partir desses materiais, são produzidos artefatos artesanais que combinam valor econômico e conservação ambiental.

Rogério Azevedo, associado do Ateliê da Floresta, projeto da Associação dos Produtores e Produtoras Agroextrativistas do Seringal Floresta, na Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre. Foto: Thiago Foresti

Segundo Rogério Azevedo, associado da organização, o apoio recebido foi decisivo para esse avanço: “o projeto fortaleceu o nosso trabalho e ajudou a gerar mais renda para as famílias. A gente já vem alcançando novos espaços e ampliando nossas atividades.”

Representantes da CAIXA também destacaram a Teia como referência para repensar o papel do financiamento.

Jean Benevides, vice-presidente de Sustentabilidade e Cidadania Digital da CAIXA. Foto: Thiago Foresti

Para Jean Benevides, vice-presidente de Sustentabilidade e Cidadania Digital da CAIXA, a iniciativa demonstra que é possível alcançar diretamente grupos que historicamente ficaram à margem: “o desafio sempre foi fazer o recurso chegar na ponta. E esse modelo mostra que isso é possível.”

Já Felipe Bismarchi, superintendente nacional de cidadania digital e sustentabilidade da CAIXA, destacou a necessidade de reposicionar o sistema financeiro: “a gente precisa colocar as finanças a serviço da vida. E iniciativas como a Teia ajudam a repensar como o financiamento pode sustentar uma economia regenerativa e distributiva.”

Uma rede em expansão

Com R$ 40 milhões destinados às duas chamadas, a Teia da Sociobiodiversidade consolida uma estratégia de apoio em escala, mantendo a proximidade com os territórios. Ao conectar centenas de iniciativas, a chamada evidencia que as respostas para desafios como mudanças climáticas, segurança alimentar e conservação da sociobiodiversidade já existem e estão sendo construídas localmente.

O papel do Fundo Casa Socioambiental, nesse contexto, é fortalecer essas soluções e garantir que tenham condições de crescer, se conectar e gerar impacto duradouro.

Para Cláudia Gibeli, gestora de programas do Fundo Casa, essa engrenagem só funciona porque parte de quem está na ponta: “a gente existe para ser parceiro de quem está no território, que é quem conhece os problemas e também quem tem as soluções. O que precisa é fazer o recurso chegar onde ele deve chegar. E isso só faz sentido porque existem essas iniciativas, que preservam a biodiversidade, a cultura e o nosso bem-estar enquanto sociedade.”

Ao articular financiamento, redes e conhecimento local, a Teia segue caminhando e fortalecendo soluções construídas nos territórios como parte das respostas concretas para o presente e o futuro.

Saiba mais: Entenda como a Teia da Sociobiodiversidade apoia a transformação nos territórios

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