20.10.2020

Agrofloresta – Resgatando saberes ancestrais para enfrentar os desafios do presente

Por Eduardo Alfredo Moraes Guimarães

Nos meses finais do ano de 2019, a equipe do ITC – Instituto Integrado para o Desenvolvimento Humano e Comunitário, aceitou o desafio do Fundo Casa Socioambiental, proposto no Edital “Justiça Ambiental e a Realidade de Pessoas com Deficiência”. A experiência da equipe de terapeutas, no trabalho em rede, atendendo famílias em situação de vulnerabilidade e pessoas com deficiência; bem como a forte parceria do instituto com o coletivo Agrossilvicultura Cosme e Damião e com a Rede Moinho, nos campos da Agroecologia e do comércio justo e solidário, são as molas propulsoras de um projeto que tem como propósito promover a justiça ambiental no pequeno Assentamento de Reforma Agrária Florestas do Sul, localizado no Sul da Bahia.

Oficina de agrofloresta no Assentamento de Reforma Agrária Florestas do Sul. Foto: Maria Eduarda Andrade Guimarães

Não existe desafio maior para camponeses e camponesas do que a produção de alimentos saudáveis com respeito ao meio ambiente! Desafio que ganha relevância ainda maior quanto entra em cena a realidade das pessoas com deficiência. Não existe desafio maior para as famílias do que a presença de uma pessoa com deficiência em casa, seja no campo, seja na cidade. No campo, digamos assim, um desafio dobrado, em decorrência da grande vulnerabilidade das famílias, expostas aos valores insidiosos da agricultura colonial de exportação, e da quase completa ausência do poder público. 

Veja também: Unindo justiça ambiental e a realidade de pessoas com deficiência para renovar esperanças

A parceria do ITC com Agrossilvicultura Cosme e Damião, na construção e execução do projeto, está sendo estratégica ao apresentar a agrofloresta, que emerge da ancestralidade indígena e africana, como chave para o enfrentamento desse grande desafio. A pequena agrofloresta, criada ao longo dos últimos 12 meses, na área coletiva do assentamento, esta mudando a perspectiva de vida das famílias assentadas ao incluir no cotidiano da produção os conhecimentos e saberes dos povos do campo, a economia solidária, a contestação dos valores da agricultura colonial de exportação e, sobretudo, a agroecologia. Agrofloresta é sustentabilidade, é agricultura regenerativa, é vida! 

O sucesso do sistema agroflorestal. Com apenas 8 meses a floresta se mostra rica e diversa, com crescimento rápido. Foto: Maria Eduarda Andrade Guimarães

E a pequena agrofloresta está ensinando grandes lições. Já nos primeiros meses da pandemia, foi dadivosa produzindo legumes e verduras em abundância, com destaque para as abóboras, plantas que pouco a pouco cederam espaços para outras plantas. Hoje, as famílias correm contra o tempo para concluir a casa de farinha, pois a produção de mandioca já está no ponto de colheita – e a produção supera todas as previsões – e as árvores (cacaueiros, jaqueiras, cedros, jequitibás, jacarandás, noz de cola, noz moscada, açaizeiros, etc.) reclamam por mais luz. 

A casa de farinha em construção irá aumentar a segurança alimentar da comunidade. Foto: Lucas Santana de Almeida

É nesse contexto que a Casa de Farinha emerge como uma espécie de puxadinho da agrofloresta, um espaço quase exclusivo para a mandioca, planta dadivosa, base da alimentação de todas as famílias assentadas. Há uma virtude essencial da mandioca que a agrofloresta ensina: enquanto ela cresce, ela também cuida das outras plantas ao redor; e esse cuidado tem mobilizado todo o assentamento, com as famílias e a equipe de terapeutas do ITC cuidando das pessoas idosas e com deficiência e a equipe da Agrossilvicultura Cosme e Damião e famílias assentadas cuidando das plantas e animais que vicejam no burburinho da agrofloresta!

O cuidado com pessoas com deficiência é um dos temas abordados pelo ITC neste projeto. Foto: Maria Eduarda Andrade Guimarães

Agrofloresta para crianças. Foto: Maria Eduarda Andrade Guimarães

Registro do início do projeto. Foto: Maria Eduarda Andrade Guimarães

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