09.07.2026
Relatório Anual 2025 mostra o segundo maior ciclo de apoio da história do Fundo Casa e fortalece papel das comunidades na resposta à crise climática
Em um momento em que a crise climática desafia o mundo a encontrar novas respostas, comunidades de todo o Brasil seguem mostrando que muitas delas já estão em prática. São soluções construídas a partir do conhecimento local, da organização coletiva e do compromisso de quem cuida dos territórios há gerações.
É essa realidade que o Relatório Anual 2025 do Fundo Casa Socioambiental apresenta. O documento reúne os principais resultados do último ano e mostra o segundo maior volume de recursos já mobilizado pela organização em seus mais de vinte anos de atuação. Foram R$ 46,65 milhões destinados ao apoio direto de iniciativas socioambientais em todo o Brasil.
Ao longo de 2025, foram realizados 646 apoios, sendo 620 projetos comunitários e 26 apoios voltados à proteção de defensoras e defensores do meio ambiente, fortalecendo organizações que atuam na conservação dos biomas, na proteção dos direitos territoriais, na segurança alimentar, na geração de renda e na adaptação às mudanças climáticas.
Os dados mostram que ampliar o apoio às comunidades significa ampliar também sua capacidade de enfrentar alguns dos principais desafios socioambientais do país.
Escala sem perder a proximidade
Um dos principais temas do relatório é a demonstração de que é possível ampliar significativamente o volume de recursos destinados às organizações comunitárias sem abrir mão da proximidade com os territórios.
Ao longo de 2025, o Fundo Casa lançou nove chamadas de apoio de grande alcance, fortalecendo iniciativas em todos os biomas brasileiros e ampliando sua atuação junto a povos e comunidades tradicionais, organizações locais e fundos territoriais.
Ao mesmo tempo, manteve a construção de relações baseadas na confiança, na escuta e no reconhecimento de que as próprias comunidades são as protagonistas das soluções que desenvolvem, uma característica que acompanha sua trajetória desde a fundação.
Os recursos mobilizados em 2025 chegaram a territórios que concentram alguns dos maiores desafios socioambientais do país. Os Povos Indígenas receberam o maior volume de apoio, com 155 iniciativas fortalecidas, seguidos por agricultores familiares (123 projetos), cidadãos ativistas (125 apoios), comunidades quilombolas e afrodescendentes (114 projetos), além de extrativistas, pescadores, ribeirinhos, caiçaras e diversas outras organizações comunitárias.
A Amazônia concentrou o maior número de projetos apoiados (251), seguida pela Mata Atlântica (176), Cerrado (64), Caatinga (61), Pampa (58) e Pantanal (9), refletindo uma atuação que alcança todos os biomas brasileiros e reconhece a importância de cada território para o enfrentamento da crise climática.
O impacto dos projetos apoiados também cresceu em 2025. As iniciativas fortalecidas pelo Fundo Casa alcançaram mais de 2 milhões de pessoas diretamente e cerca de 4 milhões de pessoas indiretamente, ampliando os efeitos das ações comunitárias muito além dos grupos inicialmente beneficiados.
Os projetos atuam em diferentes frentes, como fortalecimento institucional, governança territorial, soluções baseadas na natureza, negócios da sociobiodiversidade, adaptação climática, comunicação comunitária, agricultura sustentável, justiça socioambiental e proteção de defensoras e defensores de direitos.
Financiamento direto como estratégia para enfrentar a crise climática
O relatório também destaca uma discussão cada vez mais presente nos debates internacionais sobre clima. Não basta aumentar o volume de recursos disponíveis para enfrentar a crise climática, é necessário transformar a forma como esses recursos chegam aos territórios.
Ao longo de 2025, o Fundo Casa ampliou sua atuação junto a fundos comunitários e territoriais, fortaleceu redes do Sul Global e participou de espaços estratégicos da agenda climática internacional, com grande presença na COP 30.
A experiência acumulada ao longo de mais de duas décadas demonstra que o financiamento direto às organizações locais amplia a capacidade de resposta das comunidades, fortalece sua autonomia e contribui para uma distribuição mais justa dos recursos destinados à conservação ambiental e à adaptação climática.
Embora 2025 tenha representado o maior ciclo de apoio da história do Fundo Casa, o relatório aponta que os recursos disponíveis ainda estão muito aquém da demanda existente.
Durante o ano, a organização recebeu 4.264 solicitações de apoio, mas conseguiu financiar 620 iniciativas, cerca de 14,5% das propostas apresentadas.
O dado revela que milhares de soluções continuam sendo desenvolvidas nos territórios, mas ainda aguardam acesso aos recursos necessários para ampliar seu impacto.
O Relatório Anual 2025 registra um ano de expansão do Fundo Casa, mas, sobretudo, de fortalecimento das comunidades que seguem protegendo seus territórios e construindo respostas para a crise climática. Cada apoio amplia as possibilidades de quem já transforma a realidade todos os dias.

